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“Um marco histórico”: Beni aposta no combustível brasileiro e já espera um caminhão-tanque de 35 mil litros.

O primeiro caminhão-tanque, com capacidade para 35.000 litros, está pronto para cruzar a fronteira e chegar a Beni. O governo regional busca ampliar as importações e reduzir ainda mais os custos. O preço do combustível importado será determinado pelo mercado internacional.

10/09/2026 às 22h07 Atualizada em 11/09/2026 às 16h35
Por: Redação Fonte: El Deber
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Beni pretende receber até 40 caminhões-tanque de diesel por dia do Brasil
Beni pretende receber até 40 caminhões-tanque de diesel por dia do Brasil

O governo de Beni anunciou a chegada do primeiro caminhão-tanque carregado com 35 mil litros de diesel importado diretamente do Brasil. Segundo o diretor de Relações Internacionais do governo de Beni, a operação visa se tornar uma alternativa permanente para suprir a escassez de combustível que afeta o país.

Chávez explicou que o processo teve início em 3 de maio, logo após Jesús Égüez assumir o cargo de governador de Beni. Como parte desse processo, o governo firmou acordos com o estado brasileiro de Rondônia e, posteriormente, identificou empresas com capacidade logística e técnica para abastecer o mercado boliviano.

“O caminhão-tanque foi carregado ontem na usina e está pronto, aguardando apenas a liberação alfandegária”, explicou Chávez no programa “A Primera Hora”. Assim que o processo de inspeção no Brasil for concluído, o veículo poderá seguir viagem para Guayaramerín.

O funcionário esclareceu que, por se tratar da primeira operação, há fiscalização por parte da Receita Federal brasileira e da Polícia Federal, além dos procedimentos correspondentes na Bolívia. Ele estimou que quaisquer atrasos seriam de algumas horas.

O diesel custaria Bs 16,25 por litro

Um dos principais aspectos da operação é o preço. Chávez destacou que o combustível importado do Brasil chegou inicialmente a um preço de Bs 17 por litro, entregue no destino, embora os preços do mercado internacional tenham permitido que ele se estabilizasse atualmente em aproximadamente Bs 16,25 por litro.

“O preço de tabela quando a compra foi feita pela empresa estatal para a Bolívia era de Bs 18. Para essa empresa, entregue no destino, é de Bs 17. E agora que os preços foram atualizados, já que obviamente variam todos os dias, é um preço sujeito ao mercado internacional e está em Bs 16,25”, disse ele.

No entanto, ele explicou que ainda existem aspectos regulatórios que precisam ser revisados ​​para facilitar a comercialização do combustível importado. Entre eles, mencionou o imposto de comercialização e propôs a implementação do mecanismo de importação a prazo e por encomenda, com o objetivo de reduzir os procedimentos para empresas, produtores, associações e outros setores interessados.

O primeiro carregamento será destinado a Riberalta

O primeiro caminhão-tanque será transportado diretamente para Riberalta, onde o combustível foi inicialmente importado para uso interno de uma empresa que também está autorizada a vendê-lo.

Chávez observou que atualmente existem quatro importadores autorizados tanto para consumo quanto para venda. Ele também expressou sua esperança de que mais empresas, postos de gasolina, associações e federações se juntem a este programa.

O fornecedor, explicou-se, dispõe de 2,2 milhões de litros para este primeiro carregamento, de um total de aproximadamente 16 milhões de litros armazenados em Porto Velho e destinados ao mercado boliviano.

O Diretor de Relações Internacionais afirmou que um aumento nos volumes importados poderia gerar uma redução ainda maior nos custos, devido à maior eficiência no transporte, armazenamento e logística.

A previsão é de até 40 caminhões-tanque por dia

O Governo do Beni pretende que a importação deixe de ser uma operação isolada e se torne um mecanismo regular de abastecimento.

"Espero algo em torno de 30 a 40 caminhões-tanque por dia", declarou Chávez. Ele explicou que o consumo mensal do departamento varia entre 10 e 15 milhões de litros de diesel, sem incluir as necessidades dos sistemas isolados de geração de energia.

Segundo o funcionário, esses volumes poderiam ser supridos por importações do Brasil, enquanto a concorrência entre fornecedores nacionais e estrangeiros permitiria melhores condições para os consumidores. “O pior diesel é aquele que não está disponível. Esse é o mais caro, esse é o pior diesel”, enfatizou ele.

A Hidrovia: Mais um Meio de Abastecimento de Combustível

Além do transporte terrestre, o Governo do Estado propõe utilizar a hidrovia Mamoré-Madeira para movimentar maiores quantidades de combustível e reduzir os custos logísticos.

Chávez explicou que um caminhão-tanque transporta cerca de 35 mil litros, enquanto uma barcaça pode transportar entre 750 mil e um milhão de litros, permitindo o transporte de 20 a 30 vezes mais combustível em uma única viagem.

"Queremos que esse combustível possa subir o Rio Mamoré em volumes muito maiores, talvez de 1 a 4 milhões de litros por barcaça", afirmou.

Segundo o governador, o transporte fluvial poderia reduzir significativamente os custos devido à capacidade de carga das embarcações e ao menor consumo de combustível por unidade de volume transportado.

A proposta faz parte da chamada Agenda de Desenvolvimento 2042, promovida pelo Governo do Estado de Beni. Esse plano inclui o fortalecimento da infraestrutura logística e a conexão do departamento com os corredores fluviais que levam ao Brasil e ao Oceano Atlântico. Chávez explicou que um caminhão-tanque transporta cerca de 300 mil litros de combustível, enquanto uma barcaça pode transportar de 75 mil a 1 milhão de litros por barcaça.

“Com isso, a barreira foi rompida, a porta se abriu, um marco histórico foi alcançado e, repito, o resto praticamente se encaixa. Portanto, foi um longo processo que estamos celebrando hoje. O navio-tanque já está carregado e a empresa aguarda o produto para iniciar as operações”, afirmou.

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